“Nosso objetivo é ter padrão internacional com a alma daqui”


Com uma crença inabalável de que os cânions localizados nos parques da Serra Geral e dos Aparados da Serra têm potencial para atrair turistas internacionais ao Rio Grande do Sul, o diretor comercial da Urbia, Samuel Lloyd, apresentou ao G30 alguns planos da empresa para a concessão de 30 anos das áreas de visitação. Ao lado da profissional da área do turismo Vaniza Schuler, que integra a equipe desde a montagem do plano de negócio da concessão, ele afirmou: "Nosso objetivo é ter padrão internacional com a alma daqui”.

Essa preocupação em manter a identidade dos Campos de Cima da Serra e envolver a comunidade já tem algumas etapas em andamento. O projeto das experiências que serão oferecidas, por exemplo, não está pronto porque as pessoas da região estão participando com ideias. O road show já passou por oito cidades da região e a ideia é garimpar nelas opções gastronômicas e turísticas que possam agregar à nova fase dos parques. “Soubemos que, em São Francisco de Paula, há uma lancheria que faz um hambúrguer vegano, com pinhão. Isso precisa estar lá dentro”, exemplificou Samuel.

Além de valorizar a cultura do lugar, a Urbia também pretende incrementar o desenvolvimento econômico da região. Para isso, o máximo possível de fornecedores para todos os serviços serão contratados no Estado e, de preferência, na região. Essa atitude, além de incentivar o trade, também está focada em sustentabilidade, um valor forte da Urbia. “Quando mais perto estiver o fornecedor, menor é a pegada de carbono”, explicou o diretor.

Reforçando que a natureza fez a parte dela e que, agora, cabe à empresa oferecer infraestrutura, ele antecipou que não haverá intervenções próximas às fendas, para que a atração principal não seja modificada. Essa decisão chega com dois respaldos: a crença da Urbia de que é preciso preservar o que a natureza desenhou e a necessidade de aprovação do Instituto Chico Mendes de Conservação (ICMBio), proprietário do parque, para qualquer obra. “Qualquer construção maior ficará longe. Teremos lá dentro gastronomia, hotelaria e diversas opções de experiências, mas sem interferir na paisagem da beira do cânion”, reforçou Samuel.

Ele fez questão de destacar, também, que a Urbia não assume o parque, apenas as áreas de visitação. E tem autorização para criar novos núcleos, mas a propriedade do parque segue do ICMBio. Inclusive, o órgão receberá anualmente parte do faturamento da Urbia. E falando em números, Samuel informou que a outorga de R$ 20,5 milhões já foi paga ao governo federal antes da assinatura do contrato: "Estamos prevendo ainda uma outorga variável de R$ 75 milhões durante os 30 anos de contrato e mais um investimento de R$ 260 milhões em impostos nesse mesmo período”.

Os valores dos ingressos já estão definidos, e as primeiras mudanças começarão assim que a empresa tiver autorização para entrar nos parques, o que ainda não aconteceu. Ações emergenciais já estão sendo pensadas e há fornecedores da região contratados. Até o final do ano, com as sugestões da comunidade, a ideia é ter o masterplan pronto. Moradora de Gramado, Vaniza está envolvida diretamente nisso. A própria presença dela na linha de frente do projeto é mais um exemplo da preocupação em ter pessoas daqui. “Chegamos às cidades com muito respeito e estamos felizes com a acolhida. O turismo deve ser pensado regionalmente, então estamos fazendo contato com diversos municípios, para que todo o trade nos receba e contribua”, afirmou ela.

A estimativa, considerada baixa por pessoas ligadas ao turismo, é receber 622 mil visitantes anuais nos primeiros seis anos de concessão. Samuel ressaltou que a intenção é chegar devagar, para proteger o ecossistema. “As pessoas precisam entender que estão entrando em um espaço sagrado. A fauna e a flora também são atrativos por lá”. Vaniza completou: “Queremos o turista entenda o valor de viver aquela experiência. Hoje, não se vende qualquer produto para um visitante internacional, especialmente. A sustentabilidade é uma preocupação indispensável”.

Focados em criar um destino turístico que vá além de uma cidade, já que os parques se espalham por quatro municípios e dois Estados, foi criada a marca Cânions Verdes. E Samuel faz um adendo importante a ela: “Sabemos que há potencial para uma experiência comparável à do Grand Canyon. E, em inglês, essa marca funciona bem: ‘visitou o Grand Canyon? Agora venha conhecer o Green Canyon’”. Se você acha que o sonho é muito alto, fique com a frase de Vaniza: “Tanto eu quanto o Samuel já trabalhamos com destinos internacionais. Nós não temos dúvida de que os cânions são um equipamento com potencial para atrair turistas estrangeiros. Não se trata de achismo, mas de experiência”.

O G30 tem quatro anos e, lá no início, já acreditava nisso.

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